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Inositol

Última revisão: outubro de 2026 · Com base em 15 estudos

Resumindo

O mio-inositol provavelmente ajuda a restabelecer ciclos regulares e a melhorar os marcadores de testosterona e de insulina na SOP, com menos efeitos colaterais intestinais do que a metformina. Ainda não se sabe se ele aumenta as taxas de gravidez e de nascimento de bebês vivos, e a maior parte da evidência é de baixa qualidade.

Para que ajuda

  • Restabelece ciclos menstruais regulares na SOP — Benefício, grau de evidência B (Moderada). Metanálises de ensaios randomizados encontraram maior chance de normalização do ciclo em relação ao placebo; rebaixada por inconsistência com a revisão cautelosa das diretrizes.
  • Reduz a testosterona alta na SOP — Benefício, grau de evidência B (Moderada). Várias metanálises de ensaios randomizados encontraram testosterona mais baixa e SHBG mais alta; rebaixada por inconsistência, já que uma revisão não encontrou efeito sobre a testosterona.
  • Melhora a sensibilidade à insulina na SOP — Benefício, grau de evidência B (Moderada). Metanálises de ensaios randomizados encontraram HOMA-IR, insulina de jejum e glicose mais baixos; rebaixada por heterogeneidade e amostras pequenas.
  • Aumenta as taxas de gravidez e de nascimento de bebês vivos na SOP — Resultados mistos, grau de evidência C (Limitada). Algumas revisões relatam taxas maiores de ovulação e de gravidez, mas a Cochrane e as revisões de reprodução assistida encontram diferença incerta ou nenhuma; rebaixada por inconsistência e por amostras pequenas, de baixa certeza.
  • Causa menos desconforto no estômago do que a metformina — Benefício, grau de evidência B (Moderada). Ensaios de comparação direta encontraram, de forma consistente, menos eventos adversos com o inositol do que com a metformina; rebaixada por amostras pequenas.

O que é

O inositol é um álcool de açúcar de origem natural, vendido como suplemento, na maioria das vezes como mio-inositol, às vezes com ácido fólico ou combinado com D-chiro-inositol [1][2]. Ele é classificado como um agente sensibilizador à insulina e é muito usado na síndrome dos ovários policísticos (SOP) [3].

Como pode funcionar

A explicação proposta é que o inositol atua na sinalização da insulina, diminuindo a resistência à insulina e, com isso, melhorando a captação de glicose [4]. Os pesquisadores também propõem que ele melhora os desfechos de fertilidade ao moderar o excesso de hormônios do tipo masculino [5]. Esses são mecanismos propostos, não fatos estabelecidos.

O que diz a pesquisa

Uma revisão de 2023 com 26 ensaios e 1691 mulheres concluiu que o inositol tornou um ciclo regular cerca de 80% mais provável do que o placebo, além de reduzir a massa corporal, a testosterona e a glicose e de aumentar a SHBG [6]. Uma revisão guarda-chuva (uma revisão que reúne várias metanálises) de 2026, com 13 metanálises, concordou, acrescentando uma taxa de ovulação quase três vezes maior e uma taxa de nascimentos de bebês vivos mais de duas vezes maior -- mas não classificou nenhuma das evidências como de alta qualidade [1]. Em contraste, uma análise de 17 ensaios encontrou quase nenhuma mudança no peso, na glicose, na insulina ou na maioria dos hormônios [4], e a revisão por trás das diretrizes internacionais de SOP de 2023 chamou a evidência de limitada e inconclusiva [7]. Quanto à gravidez em si, uma revisão da Cochrane com 13 ensaios não conseguiu confirmar mais nascimentos de bebês vivos nem mais gestações clínicas, e classificou a evidência como de qualidade baixa a muito baixa [8]. Na reprodução assistida, o inositol não mostrou ganho claro de gravidez em comparação com nenhum tratamento, embora tenha superado a metformina na comparação direta [9]. O mio-inositol melhorou a maturidade dos óvulos e as taxas de fertilização na FIV [10].

Doses usadas nos estudos

Os ensaios testaram, em geral, de 2 a 4 gramas por dia de mio-inositol, muitas vezes com 200 a 400 microgramas de ácido fólico, por três a seis meses [2][11][12]. Ensaios de prevenção na gravidez usaram 4 gramas por dia [13]. Essas são doses testadas pelos pesquisadores, não recomendações.

Segurança e interações

Efeitos colaterais comuns: somente a maior dose testada, 12 gramas por dia, causou náusea leve, gases ou diarreia, e a gravidade não aumentou com a dose [3]. Ensaios de comparação direta encontraram cerca de cinco vezes mais eventos adversos, na maioria queixas intestinais, com a metformina do que com o mio-inositol [14]. Limites máximos: nenhum limite máximo seguro estabelecido foi encontrado nos estudos lidos. Interações com medicamentos: os estudos lidos não abordaram interações, então quem toma medicamentos que reduzem a glicose deve conversar com um médico antes de experimentar o inositol. Gravidez e amamentação: ensaios com 4 gramas por dia para prevenir o diabetes gestacional não relataram eventos adversos graves, mas classificaram a evidência como de baixa certeza [13]. Mulheres grávidas, que estão amamentando ou que tentam engravidar devem conversar com o médico sobre o uso. Condições relevantes: os estudos lidos não testaram o inositol em doenças dos rins ou do fígado, então a segurança nesses grupos não está estabelecida.

Ressalvas e perguntas em aberto

Os ensaios foram, na maioria, pequenos e variaram muito no desenho, na dose e na população, e as revisões discordam em vários desfechos [4][7]. A maior parte da evidência combinada é de qualidade baixa ou muito baixa, então os tamanhos dos efeitos podem mudar quando ensaios maiores forem publicados [1]. A forma mio, sozinha ou com ácido fólico, pareceu melhor do que o D-chiro-inositol sozinho, que uma revisão disse que deve ser usado com cautela [1]. Dois ensaios em andamento estão testando o mio-inositol contra a metformina e no cuidado da fertilidade relacionada à SOP.

Referências

  1. Effects of inositol in women with polycystic ovary syndrome: an umbrella review of meta-analyses from randomized controlled trials.. Front Endocrinol (Lausanne), 2026.
  2. Myo-inositol administration positively effects ovulation induction and intrauterine insemination in patients with polycystic ovary syndrome: a prospective, controlled, randomized trial.. Gynecol Endocrinol, 2017.
  3. Inositol safety: clinical evidences.. Eur Rev Med Pharmacol Sci, 2011.
  4. Efficacy of Myo-inositol on Anthropometric, Metabolic, and Endocrine Outcomes in PCOS Patients: a Meta-analysis of Randomized Controlled Trial.. Reprod Sci, 2022.
  5. The effects of myo-inositol vs. metformin on the ovarian function in the polycystic ovary syndrome: a systematic review and meta-analysis.. Eur Rev Med Pharmacol Sci, 2021.
  6. Inositol is an effective and safe treatment in polycystic ovary syndrome: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials.. Reprod Biol Endocrinol, 2023.
  7. Inositol for Polycystic Ovary Syndrome: A Systematic Review and Meta-analysis to Inform the 2023 Update of the International Evidence-based PCOS Guidelines.. J Clin Endocrinol Metab, 2024.
  8. Inositol for subfertile women with polycystic ovary syndrome.. Cochrane Database Syst Rev, 2018.
  9. Effectiveness of inositol, metformin and their combination in women with PCOS undergoing assisted reproduction: systematic review and meta-analysis.. Gynecol Endocrinol, 2022.
  10. Effect of myo-inositol supplementation in mixed ovarian response IVF cohort: a systematic review and meta-analysis.. Front Endocrinol (Lausanne), 2025.
  11. The effectiveness of inositol and metformin on infertile polycystic ovary syndrome women with resistant to letrozole.. Arch Gynecol Obstet, 2019.
  12. Comparison of metformin with inositol versus metformin alone in women with polycystic ovary syndrome: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials.. Endocrine, 2025.
  13. The Efficacy and Safety of Myo-inositol Supplementation for the Prevention of Gestational Diabetes Mellitus in Overweight and Obese Pregnant Women: A Systematic Review and Meta-Analysis.. J ASEAN Fed Endocr Soc, 2023.
  14. Short-term effects of metformin and myo-inositol in women with polycystic ovarian syndrome (PCOS): a meta-analysis of randomized clinical trials.. Gynecol Endocrinol, 2019.